Artigo: Como vender-se com a IA?

agosto 25, 2026

Por Altair Nobre — Vice-presidente de Imagem e Reputação da ADVB/RS

O avanço da inteligência artificial regenerativa e, logo mais, a popularização dos agentes de IA seduzem com promessas de facilitar a exposição de marcas e potencializar negócios. Por trás dessa verdade, há uma armadilha. E o risco tende a ficar mais visível quando talvez já seja tarde demais.

Graças às novas tecnologias, empresas nascentes encurtam o caminho para concorrer com as consolidadas. Esse atalho converge linguagens, abordagens e estratégias a um padrão médio — mais elevado em relação ao período pré-Era da IA, é verdade; porém, ainda assim, um lugar-comum, uma zona de conforto do competidor. Uma nova mediocridade.

O erro é se emular por essas referências, geradas por prompts reproduzidos à exaustão. O equívoco já é percebido no ambiente das redes sociais, onde roteiros comuns de contar histórias se repetem — “Não é X, é Y”, “eles não querem que você saiba, mas”. Em vez de atrair atenção, iscas como essas acionam o desinteresse. Você ainda não está incomodado com fórmulas insistentes no seu feed?

Na era da IA, ficou ainda mais difícil ser diferente. Porque ser igual é tão acessível. Mas o singular constrói a personalidade. Valorizar os traços mais difíceis de copiar é um caminho para fortalecer a reputação.

Provavelmente você, assim como eu, ao deparar com uma marca desejada, não precisa nem ler o texto para identificá-la. Ela ressoa em você imediatamente. Pelo produto, pela entrega, pelo conceito, pelo visual, e até por problemas do passado — afinal, todos cometemos erros, e a diferença é como lidamos com eles.

Está mais difícil construir e manter uma reputação capaz de resultar em vendas consistentes e sustentáveis. É preciso ser único, o menos copiável possível. Hoje é necessário dominar os recursos tecnológicos para tirar o maior proveito estando no controle deles, em toda a cadeia, da produção à pós-entrega (o chatbot tem de reproduzir a personalidade da marca). O negócio é vender-se com a IA. E não para a IA.

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